terça-feira, 24 de abril de 2018


O OUTRO LADO DE BRASÍLIA


Imagine
Você poder apanhar
Uma manga, ou
Uma goiaba, jaca, abacate, laranja,
Todas pertencendo
A todos. Você apanha
E vai descascando e
Comendo sem pagar nada!
Imagine um condomínio
Onde as horas comunitárias
São para todos, para qualquer
Um chegar, fofar a terra
Apanhar um tempero
Tudo de graça.
Imagine
Uma quadra
Onde o vendedor de jornais
Organiza um chorinho
Reunindo pessoas idosas, adolescentes
E crianças. Fazem roda e
Tocam todos os sábados
Imagine
Um lugar
Banhado
Pelo sol dos
Trópicos.
Ruas planas
Sem altos e baixos
Gente fazendo
Caminhada
Indo e vindo
 E cumprimentando
Quem chega
“Bom dia” ou “boa tarde”
Soa bem aos ouvidos.
Passam idosos de bengala,
Cadeirantes, crianças correndo,
Criancinhas no colo.
Parecem felizes...
“Vim do Rio, de Copacabana”
nos diz o dono da banca, Carlos Valença.
“mudei para Brasília, resolvi
Imaginar este evento dos sábados.”
Pois este lugar prazeroso,
Cheio de luz, é Brasília, capital
 Do Brasil.
“Trouxemos a Roda de Choro
Do Parque da Cidade para a banca Copacabana.”
Brasília não é somente política,
Políticos, decisões judiciais, lugar de conflitos...
Brasília está banhada de luz,
Foi abençoada por dom Bosco, criada por um presidente vindo de Minas Gerais, com coragem e idealismo.
Juscelino Kubitscheck era alegre, dançava, gostava de arte, incentivava os artistas.
Sentada num banquinho na barraca de jornal, eu fui me lembrando da história de Brasília, muito ligada ao construtivismo que se propagou pelo Brasil na época.
Juscelino quando criou Brasília realizou um sonho, acho que realmente ele foi o melhor presidente que tivemos.
Hoje, estamos aqui sentados, ouvindo música, jovens, idosos, crianças, até recém-nascidos estão participando. Chegou um rapaz com uma gaita e entrou na música.  Outros, como eu, sentamos em banquinhos e tomamos água de coco. Este é o outro lado de Brasília que pudemos apreciar numa manhã de sol. Hoje Brasília completa 58 anos. Parabéns!

*Fotos de Maurício Andrés

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segunda-feira, 16 de abril de 2018


DANDO NOME ÀS VACAS


Gostaria de apresentar o texto abaixo sobre a vida rural, de autoria de  Manuel Rolim Andrés..

No princípio era o berro. Muuuuuuuuu, mugiu Saudade ao ser tocada do curral onde passara os mais gloriosos anos de sua vida. O período era o comecinho do século XX. O lugar era o interior de Minas Gerais. E o sujeito era uma família que estava de mudança de uma fazenda para outra, a algumas léguas dali. Todo o patrimônio estava sendo levado. No caso, três vacas: Saudade, Lembrança e Souvenir. Esta última, ainda um testemunho de uma época em que a grande referência cultural do mundo era a França, e não os Estados Unidos.
A menina mais nova, numa epifania causada talvez pela saudade do antigo lar, percebeu: “mas o nome das três vacas significa a mesma coisa”.
“É que é importante lembrar, minha filha.”

Esta história aconteceu com a avó da minha esposa muito tempo atrás. Hoje, quando a principal regra de alimentação é “não coma nada que sua avó não reconhecesse como comida”, talvez aquelas vacas tenham algo a nos ensinar.

Porque se a avó da minha esposa chegou a conhecer o leite de saquinho e depois o longa vida, provavelmente ela nunca colocou os olhos em uma grande fazenda produtora de leite. Vacas espremidas em cochos, comendo ração transgênica, sem espaço para vaquear por aí. São ruminantes, ora. Os muito literais que me perdoem, mas ruminar é muito mais do um tipo de digestão do alimento. Ruminar também é refletir, meditar, cogitar. Tudo o que é negado à vaca no seu quarto-e-sala sem área privativa. Outra coisa que a avó dessa história também nunca viu, foi uma vaca ser chamada por um número. É como se você fosse reconhecido na rua pelo seu CPF.

-         12345678? É você?
-         87654321? Quanto tempo, que saudade.

Aqui, no Dahorta, cada vaca tem seu nome. Meia Lua, Estrela, Maravilha… Alguns desses nomes foram escolhidos por nossos netinhos. Dar nome às vacas é um símbolo de como toda produção deveria ser. O alimento que vem da vaca vai pra dentro de nós. Se ela for tratada como uma mera engrenagem industrial, é impossível que o leite não seja também um mero produto industrial. É fundamental estabelecer uma relação de proximidade com o animal. Vacas criadas a pasto, chamadas pelo nome, sem antibióticos preventivos (onde já se viu, tomar antibiótico sem estar doente?), tratadas com homeopatia. A quantidade de leite que cada vaca dá é muito menor do que em uma fazenda de confinamento. Em compensação, o leite que elas dão, e o iogurte e o queijo que a gente faz a partir dele, não dá pra comparar. Depois de provar, você vai ficar igual ao nome das vaquinhas do começo da história: com lembrança e saudade.

*Fotos de arquivo

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